Percurso de um Rio

O paradigma de um rio ibérico, da nascente até à foz, apresenta uma sucessão de habitats que representam a continuidade de um curso de água que simboliza um dos rios de Portugal. Aqui ficará a conhecer as espécies autóctones, as que foram introduzidas nos cursos de água por acção do Homem, quais as que estão em perigo e já extintas.

Nesta Exposição

Bordalo

Squalius alburnoides (Steindachner, 1866)

Estatuto de Conservação: Vulnerável

Espécie endémica da Península Ibérica, com distribuição generalizada na zona meridional. Em Portugal encontra-se presente nas bacias higrográficas dos rios Douro, Vouga, Mondego, Tejo, Sado, Mira e Guadiana (verificar odiel e guadalquivir). O bordalo apresenta preferência por cursos de água doce de regime lótico e não poluídos. Alguns machos e fêmeas apresentam segregação espacial de acordo com características de corrente, profundidade, substrato e coberto vegetal. Esta espécie alimenta-se principalmente de insectos aquáticos (insectívora), ingerindo também matéria vegetal. A reprodução desta espécie ovípara ocorre de Março a Julho, e realiza as posturas em zonas de cascalho com corrente. São geralmente as fêmeas que atingem maiores dimensões, cerca de 13 cm.

Cumba

Luciobarbus Comizo (Steindachner, 1864)

Estatuto de Conservação: Global – Vulnerável; Nacional – Em Perigo

É um endemismo ibérico, e em Portugal encontra-se nas bacias hidrográficas dos rios Tejo e Guadiana. Esta espécie ocorre em rios de grandes dimensões, de regime lótico e caudalosos mesmo durante o Verão, com abundância de plantas aquáticas. Os juvenis preferem locais mais a montante e de profundidade mais reduzida, ao contrário dos adultos que preferem zonas mais profundas e a jusante. O cumba alimenta-se de plâncton, insectos aquáticos, outros peixes e ocasionalmente de matéria vegetal e detritos. A reprodução desta espécie ovípara ocorre de Maio a Junho, em zonas profundas de corrente lenta e substrato de cascalho. É a espécie de barbo que atinge maiores dimensões em território nacional, cerca de 100 cm.

Lúcio

Esox lucius (Linnaeus, 1758)

Estatuto de Conservação: s/avaliação pela IUCN

Espécie introduzida em Portugal nas albufeiras do Azibo, Bemposta e Caia, e na bacia hidrográfica do rio Tejo. O lúcio ocorre em zonas de corrente lenta e vegetação abundante e também pode ser encontrado em zonas de grande profundidade. É uma espécie territorial, solitária e carnívora, em que a selecção de presas evolui gradualmente ao longo do crescimento dos juvenis, passando por insectos aquáticos, crustáceos, anfíbios, até que cerca dos 30 cm de comprimento passam a alimentar-se quase em exclusivo de peixes. A reprodução desta espécie ovípara ocorre de Janeiro a Abril. A fêmea pode realizar posturas fraccionadas, com a vantagem de reduzir a predação dos ovos e canibalismo. Esta estratégia, aliada à presença de vários machos durante as posturas, contribui para a diversidade genética. O lúcio pode atingir cerca de 107 cm de comprimento.